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Se existe um consenso entre os profissionais de logística em 2026, é este: o preço do diesel é a maior dor de cabeça do setor. Uma pesquisa recente da MundoLogística revelou que 40% dos profissionais apontam o combustível como o principal desafio do ano. Segundo a NTC&Logística, o diesel responde por 43,2% dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas. Qualquer economia nessa linha impacta diretamente a rentabilidade.
Mas a pergunta que poucas empresas fazem é: quanto desse combustível está sendo queimado por falta de treinamento?
A Trucking Research Association mapeou os comportamentos que mais geram desperdício. O excesso de velocidade responde por 33%. Acelerações bruscas, 25%. A marcha lenta prolongada, o famoso idling, representa 20%. Curvas em alta velocidade, 16%. Frenagens bruscas, 6%.
Quase 80% do desperdício de combustível está ligado a hábitos de condução que podem ser corrigidos com treinamento. Não é problema mecânico, de rota ou de tecnologia. É comportamento humano.
A EPA SmartWay demonstrou que programas de treinamento que melhoram a economia de combustível em apenas 5% geram uma economia de cerca de 3.000 litros de diesel por caminhão ao ano, além de 8,1 toneladas de CO₂ evitadas.
No Brasil, com o diesel na casa dos R$ 6,50 o litro, isso representa uma economia potencial de R$ 19.500 por caminhão por ano. Numa frota de 50 veículos, são aproximadamente R$ 975 mil anuais. Em uma frota de 100 caminhões, o valor ultrapassa R$ 1,9 milhão.
O setor vive uma contradição. A Fetrabens aponta que 88% das empresas de transporte enfrentam escassez de motoristas. A NTC&Logística confirma que a falta de mão de obra qualificada trava o setor.
A reação natural diante da escassez é contratar rápido e colocar o motorista na estrada. O onboarding vira entrega de chaves e rota. Treinamento fica para depois. E depois nunca chega.
O resultado são motoristas que nunca aprenderam técnicas de condução econômica, profissionais que não sabem interpretar dados de telemetria, equipes que reproduzem vícios de direção sem correção, e combustível sendo queimado sem que ninguém saiba por quê.
Como diz a SambaSafety, o comportamento do motorista é a alavanca de maior retorno para reduzir o desperdício de combustível. É uma decisão de gestão, não de operação.
A eficiência energética de uma frota se constrói sobre três pilares. O primeiro é a tecnologia: telemetria, roteirização inteligente, sensores de consumo. O segundo é a manutenção: pneus calibrados, motores regulados, revisões em dia. O terceiro, e mais negligenciado, são as pessoas: treinamento, cultura e incentivos.
A maioria das empresas investe nos dois primeiros e para por aí. Gastam em rastreadores e sistemas de gestão, mas deixam de lado o fator humano. O resultado é uma frota preparada sendo operada por motoristas que nunca aprenderam a extrair o melhor dela.
Um programa de capacitação trabalha quatro pilares. O primeiro é a condução econômica: velocidade constante, redução da marcha lenta, frenagem progressiva e uso correto das marchas. O segundo é o planejamento de rota: evitar horários de pico e trechos com topografia desfavorável, otimizar paradas com desligamento programado do motor. O terceiro é a cultura de dados: ensinar o motorista a ler relatórios de telemetria, dar feedback baseado em indicadores individuais e criar metas de consumo com incentivos reais. O quarto é a reciclagem periódica: todo motorista desenvolve vícios com o tempo, e programas semestrais mantêm a eficiência.
O retorno sobre o investimento em treinamento é um dos mais rápidos da logística. Diferente de ativos físicos, a capacitação gera resultado na primeira semana.
Para uma frota de 50 caminhões, com um investimento de aproximadamente R$ 49.850, a economia de combustível com 5% de melhoria chega a R$ 19.500 por veículo ao ano. Isso dá R$ 975 mil de economia total por ano. O ROI é de 19,5 vezes no primeiro ano. Cada real investido em treinamento gera R$ 19,50 de retorno só em combustível, sem contar a redução de acidentes, desgaste de pneus, manutenção corretiva e multas.
O diesel é caro e ninguém controla seu preço. Mas controlar como ele é usado está nas mãos das empresas. A pesquisa da MundoLogística mostrou que o preço do combustível tira o sono dos gestores. Talvez a pergunta certa não seja "quanto vai custar o diesel amanhã?", mas sim "quanto do meu diesel está sendo desperdiçado hoje porque meus motoristas não foram treinados?"
Enquanto o treinamento for tratado como custo e não como investimento, o desperdício continuará sendo o maior custo invisível da frota.