Logística empresarial para micro e pequenas empresas

Publicado em

10.5.2021
Carla Cristina Oliveira de Almeida

Carla Cristina Oliveira de Almeida

Logística Petrolífera | Logística Reversa | Supply Chain | Palestrante | Escritora | Conteúdo Interativo

INTRODUÇÃO

De acordo com o IBGE e o SEBRAE, as micro e pequenas empresas são cada vez mais importantes para a economia brasileira, pois são responsáveis por 99,2% do total de negócios, 57,2% dos trabalhos totais e 26% da massa do salário.

Muitos empreendedores não conseguem o sucesso, provocando uma alta taxa de mortalidade dessas empresas por conta da falta de habilidades em desenvolver e manter o controle de seus negócios logo nos primeiros anos de vida.

Essas empresas são importantes na economia e no desenvolvimento social, além de serem fonte de criação de empregos e de inovação. Visto aí a importância da dinâmica de empreender e do papel fundamental do empreendedor no seu próprio negócio.

O maior dilema do empreendedor de MPE é enxergar o sucesso desejado. É fundamental para o alcance desse sucesso um planejamento empresarial para o controle da gestão, que se faz através do fluxo de informações, as quais se tornam cada vez mais complexas, dificultando uma eficiente tomada de decisão.

Os empreendedores precisam ser conscientes e ativos, ter uma visão de negócio ampla, abrangendo todas as atividades operacionais.

As MPEs no Brasil estão em desvantagem em comparação as maiores, pois em questões legais estão sujeitas as mesmas exigências e em relação à competitividade, o cenário se mostra desfavorável.

Um aspecto bem positivo na gestão de micro e pequenas empresas é a presença diária e constante do empreendedor, criando um relacionamento de confiança e proximidade com o consumidor. Desta forma, os pequenos empresários vêm lidando com várias adversidades, promovendo ações para garantir suas sustentabilidade e longevidade empresariais.

FERRAMENTAS DE GESTÃO DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS:

Em decorrência de um cenário globalizado, muitas empresas procuram gerir seus negócios de maneira a garantirem sua continuidade. Os controles internos se demonstram efetivamente importantes dentro de uma organização, uma vez que protegem seus ativos, previnem erros e fraudes, e ainda tornam as demonstrações contábeis mais concisas, auxiliando na tomada de decisão, fazendo com que as empresas apresentem maior sustentabilidade. (AUGUSTIN, 2006).

As MPEs sofrem com a concorrência de mercados diferenciados e também por não terem acesso a ferramentas de gestão em seus processos internos, não sendo capazes de se manterem com um potencial competitivo adequado, diminuindo sua provável sobrevivência diante de empresas maiores e melhores estruturadas. O acesso a essas ferramentas de gestão ajudam as pequenas empresas a ajustarem fatores importantes de produtos/serviços oferecidos, bem como a melhorar aspectos relacionados às verdadeiras necessidades de seus consumidores.

Na última década as organizações enfrentaram uma concorrência globalizada independente de seu porte. Os consumidores passaram a ter muitas informações sobre produtos, serviços e mercados, desejando produtos de qualidade e preço baixo. As de pequeno porte também inseridas neste mercado globalizado, passam a ter que se adaptar a este processo. Elas precisam estar preparadas para eventuais modificações de seus produtos ou serviços, desenvolver as capacidades individuais e organizacionais, aumentando assim a habilidade de identificar e solucionar problemas gerando um embasamento sólido para a tomada de decisões estratégicas, vitais para a sobrevivência das empresas. (AUGUSTIN, 2006).

GESTÃO DE MICRO EMPRESAS:

No Brasil, de 6 milhões de empresas ativas, 99% são micro e pequenas empresas. Na indústria são 17,8%, no comércio são 45,8% e nos serviços são 36,4%.

A pequena empresa é formada, na sua maioria, de empresas administradas pelo seu proprietário, heterogêneas e independentes, cuja ordem estratégica acomoda objetivos de orientação estratégica empresarial e sociopsicopessoal. (KETS DE VRIES, 1985).

Este significativo número de MPEs presentes no mercado da economia brasileira faz ficar mais homogêneo e com uma melhor distribuição da renda, formando uma estabilidade política e social.

As MPEs têm papel de destaque nesse desenvolvimento econômico, aumentando a alocação de recursos conforme a demanda, dinamizando assim a renda produzida através de seus entregáveis para o mercado consumidor.

FATORES DE SUCESSO E DE FRACASSO:

Esses fatores são variáveis e podem ser estabelecidos como: localização, planejamento, RH, capital e estudo de mercado.

Os fatores de sucesso são classificados em:

  • Ambiente empresarial (conjunto de forças externas);
  • Situação interna (pontos positivos e negativos da empresa, produção, finanças).

Os fatores de fracasso são classificados em:

  • Condições meio ambiente empresarial;
  • Estruturas e estratégias do negócio;
  • Características do empreendedor.

Estas características são consideradas por especialistas como distintas e inter-relacionadas aos fatores externos do ambiente, nos quais as empresas não possuem o controle (demanda/oferta/produção/regionalidade). Fatores internos relacionados aos processos operacionais, os quais são modificáveis (gestão/RH/finanças/comercial). E por fim, as características do empreendedor (necessidades/conhecimentos/habilidades/valores).

A ausência de ações gerenciais é realidade nas empresas que lutam para sobreviver, rendendo quantias insignificantes para seus proprietários. Isso mostra que estas empresas são apenas conduzidas e administradas. (LOGENECKER et al, 1997).

As pequenas empresas enfrentam dificuldades para sobreviverem no mercado por serem atingidas por forças competitivas causando diminuto poder de barganha. (RHODEN, 2000).

FERRAMENTAS ADMINISTRATIVAS:

As ferramentas de gestão empresarial estão divididas em 3 grupos, relacionadas nas áreas de planejamento, mercado e finanças.

1) FERRAMENTAS DE PLANEJAMENTO:

  • Planilha norteadora;
  • Análise de mercado;
  • Informação da concorrência;
  • Ações para neutralizar os concorrentes.

2) FERRAMENTAS DE MERCADO:

  • Cadastro de clientes e fornecedores;
  • Cálculo de produtividade;
  • Check list do ponto de venda;
  • Ações de marketing;
  • Fidelização de clientes;
  • Informações trabalhistas;
  • Equipe de vendas.

3) FERRAMENTAS DE FINANÇAS:

  • Controle de estoques;
  • Controle de vendas;
  • Controle de contas a receber e a pagar;
  • Previsão de vendas;
  • Diário e fluxo de caixa.

GESTÃO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE:

A nova economia movida pelas vendas no e-commerce acelera cada vez mais esse relacionamento entre fornecedores e clientes, impondo ao mercado uma velocidade nas buscas por metodologias trabalhistas dinâmicas proporcionando assim maior competitividade e velocidade com custo baixo. Tornando-se assim um grande desafio à eficiência e à eficácia dos micros empreendimentos a busca pela combinação de tecnologia e talentos, através da qualidade na produção e agilidade com a concorrência globalizada.

Nesse novo cenário, as utilizações de ferramentas pertinentes à tomada de decisão estarão disponíveis aos gestores para que possam iniciar um novo negócio ou incrementar uma inovação a algum já existente.

Para iniciar este processo, a ferramenta para visualizar e gerenciar uma empresa é a chamada com Plano de Negócios. É um documento que permite aos empreendedores obterem informações detalhadas de cada parte de um todo.

Podendo ser utilizado pelos empreendedores a tomar conhecimento dos fatores internos e externos que influenciam nas atividades empresariais de forma direta ou indireta e ainda permite o conhecimento dos pontos fortes e fracos. Desta forma, o objetivo da empresa fica claro, identificando seu mercado a atuar e as atividades necessárias a serem executadas com eficácia, de forma que não haja prejuízo ou falência.

As MPEs precisam de um sistema de controle que ajude aos empreendedores a interpretar os objetivos de sua empresa por meio de um bom planejamento, uma organização continuada, mantendo o controle direcionado aos esforços das pessoas em todas as áreas da empresa, através de uma boa sinergia para alcançar os devidos resultados.

O controle gerencial não se liga apenas a questões financeiras ou decisões de investimentos, mas também a diversas técnicas analíticas que permitam gerenciamento eficaz por meio de respostas rápidas.

O controle alinhado ao planejamento é um processo contínuo na rotina empresarial, incluindo a equipe conectada ao objetivo, sob responsabilidade do gestor, com metas estabelecidas. Esse processo inspira segurança, evita rotina e aumenta a produtividade.

Estabelecer e manter um plano integrado para as operações consistentes com os objetivos e as metas da companhia, a curto e a longo prazo, que deve ser analisado e revisado constantemente, comunicando os vários níveis de gerência por meio de um apropriado sistema de comunicação. (FIGUEIREDO E CAGGIANO, 1997, p.27).

O planejamento é um conjunto de ações necessárias que são estabelecidas, detalhadas e ordenadas para permitir o alcance dos objetivos almejados pelas MPEs, com auxílio de RH, financeiros e administrativos e ainda divide-se em: Planejamento Estratégico e Planejamento Operacional.

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO:

Se estabelece no ambiente organizacional, se conscientizando das oportunidades e ameaças do mercado em que pretende atuar, definindo pontos fortes e fracos, deficiências da missão, se norteando ao propósito para que o empreendedor possa aproveitar sempre todas as oportunidades, reduzindo ao máximo os riscos e ainda neutralizando eventuais ameaças ambientais. Neste tipo de planejamento são essenciais alguns pontos:

  • Definição da missão;
  • Definição do negócio organizacional;
  • Definição da visão a curto e longo prazos;
  • Estabelecer alvos e desafios para o futuro.

PLANEJAMENTO OPERACIONAL:

Evolui-se após todo norteamento das estratégias direcionadas ao sucesso empresarial, determinando os meios de controle a cada tarefa que será realizada no nível operacional, indo ao encontro sempre das diretrizes estratégicas estabelecidas anteriormente. Torna-se dessa forma, o desdobramento das estratégias em ações cotidianas que compõem o processo produtivo.

Após a etapa de planejamento e de execução, na sequência ocorre o processo de controle, mantendo as MPEs na realização efetiva de suas atividades em cada etapa, concluindo o processo e assegurando os objetivos organizacionais e administrativos.

Segundo Helfert (2000, p.18) “[...] o sucesso da operação, do desempenho e da viabilidade a longo prazo de qualquer negócio depende de uma sequência contínua de decisões individuais ou coletivas tomadas pela equipe gerencial.”

O controle pode ser feito por meio de informações prévias, prevendo desvios antes que possam ocorrer, desempenhando um papel fundamental nos níveis empresariais. Envolve ações de medidas corretivas, permitindo um desempenho satisfatório para que as MPEs continuem em seus propósitos, obtendo o sucesso desejado e evitando o seu fechamento.

Todo planejamento deve ser feito levando em consideração o perfil empresarial, planejando a forma sistemática para se obter mais lucro. Para a tomada de decisão bem estruturada, o empreendedor deve considerar informações do passado, visando os cenários futuros, antecipando decisões que identificarão oportunidade e ameaças.

Os autores definem o planejamento como melhoria nas atividades empresariais, em busca no crescimento em seu nicho de mercado. O planejamento deve definir a missão, os objetivos e prioridades; determinar onde as coisas estão agora; desenvolver premissas sobre as condições futuras; identificar os meios para alcançar os objetivos; implementar os planos de ação e avaliar os resultados. (CHIAVENATO, 2004, p.190).

Outros autores também orientam que o plano de negócio deve mostrar onde e como quer chegar ao propósito, pois para quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve. Veja o plano como forma de descobrir a forma como reduzir o risco e maximizar a recompensa e de convencer os outros de que você entende todo o processo da nova empresa. (BATEMAN, 2006, p.239).

ESTRATÉGIAS DE GESTÃO EM BUSCA DA SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA E LOGENVIDADE EMPRESARIAL

Segundo Hisrich et al (2009), ser empreendedor abrange tomar iniciativas, organizar e reorganizar o cotidiano empresarial aceitando o risco do negócio. Na gestão empreendedora, o empresário combina recursos, trabalho e materiais, motivado pela necessidade de obter ou conseguir algo.

A experiência no setor que irá atuar é super importante, como requisito inicial para o empreendedor na criação inicial do seu novo negócio. É preciso ter intuição, requerendo assim o mínimo de entendimento sobre o negócio que quer atuar, entendendo o funcionamento e detectando as oportunidades.

Desta forma, o esperado é que as habilidades empreendedoras (focalizar, examinar, analisar e compreender) o setor de atuação, conduzidas por boas estratégias, garantam um bom desenvolvimento sustentável.

Oliveira et al, (2012, p.2) asseveram que “[...] o alicerce da longevidade relaciona-se às estratégias implantadas e explica a relação entre o sucesso e o fracasso organizacional, relativo ao ambiente e a habilidade de seus gestores em superar desafios.”

EMPREENDEDORISMO, SUSTENTABILIDADE E LONGEVIDADE:

Finilon (1999, p.19), “[...] o empreendedor é uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos, uma pessoa que mantém alto nível de consciência no ambiente em que vive, usando-a para detectar oportunidades de negócio e inovação constante”.

O comportamento empreendedor é de pessoa com iniciativa, organização de mecanismos sociais e econômicos que transformam as situações em seu próprio proveito, com as possibilidades de fracassos, aceitando os riscos.

O empreendedor é impulsionado para conseguir algo, sempre experimentando e realizando pela novidade, a organização e a criação. Por uns pode ser considerado uma ameaça, por outros um aliado, porém são sempre pessoas com aspectos que buscam favorecer a compreensão complexa e multifacetada de suas gestões.

A longevidade de uma organização não é nada simples, pois exigem recursos, energia e muito senso de oportunidade para manter-se durante longos períodos de existência. Como consequência da limitação em termos de adaptação, algumas organizações morrem, enquanto outras para se manterem vivas e competitivas, necessitam de alteração do ambiente da tecnologia e das pessoas. (FREZATTI et al, 2009).

A importância de uma visão de longo prazo, incorporando as necessidades dos stakeholders (clientes, fornecedores e a sociedade) s faz necessária para que haja o equilíbrio entre os interesses e a redução do risco de desaparecimento da empresa.

SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA:

A busca pela sustentabilidade empresarial é um esforço para evitar o expressivo número de empresas com morte precoce e diminuir a ampla distância existente entre a expectativa de vida média e máxima dessas empresas, não significando que as empresas devam viver eternamente. (GEUS, 1988).

A descontinuidade de uma empresa é prejudicial para todos os stakeholders, pois ela é ao mesmo tempo a fonte de renda que garante a subsistência e o crescimento pessoal; para outros possibilita o retorno do capital investido e ainda para alguns gera impostos e produz bens e serviços.

ESTRATÉGIA NA GESTÃO DE PEQUENOS NEGÓCIOS:

Pequenos negócios são os que atendem aos critérios da Lei Complementar nº 123/06 (Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte), neste caso a definição de microempresa e empresa de pequeno porte se dá através do faturamento auferido em cada ano-calendário, não devendo ultrapassar R$ 3,6 milhões/ano. (PORTAL BRASIL EMPREENDEDOR, 2006).

Dada a importância que as MPEs assumem no atual cenário econômico brasileiro, suas estratégias empresariais são características dinâmicas, pois devem ser geradas juntamente a um conjunto de ações, com objetivos claros e metas determinantes, garantindo que as empresas consigam se realizarem no ambiente corporativo.

O processo de gerenciamento tem duas atividades distintas, a formulação de estratégia e o planejamento estratégico. A formulação de uma estratégia é o processo pelo qual se decide desenvolver uma estratégia; o planejamento estratégico é o processo pela qual se decide como implementar uma estratégia. O documento que descreve a forma como as estratégias devem ser implementadas é aqui chamado de plano estratégico. (ANTHONY; GOVINDARAJAN, 2006, p. 382).

A capacidade empreendedora e criativa é importante no momento da escolha dos caminhos a seguir para o alcance dos objetivos das MPEs, principalmente por conta das limitações de capacidade financeira, de estrutura e até mesmo pessoal dos empreendedores.

Nesta preparação devem-se analisar os concorrentes, clientes, fornecedores, novos produtos no mercado, analisando também a regulamentação e os fatores sociais e políticos nos quais as MPEs estão inseridas.

Embora os enfoques estratégicos se diferenciem, são destacados dois níveis de estratégia: Unidade, a qual se preocupa com a questão COMO competir; Corporativa, a qual se preocupa com a questão de ONDE competir e ainda poderá ser classificada em empresa de atividade única, empresa diversificada no ramo e empresa diversificada em vários ramos.

Segundo Anthony e Govindarajan (2006), uma empresa de atividade única busca o crescimento dentro de sua própria atividade, por meio de know how adquirido e adoção de novas tecnologias; enquanto uma empresa diversificada dentro do ramo busca o crescimento através do compartilhamento de recursos entre duas ou mais unidades, crescendo em razão das atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos. Já as empresas diversificadas em vários ramos podem ser controladas por uma holding que empresta recursos monetários, esperando que gerem altos retornos financeiros pela aquisição de empresas.

As MPEs podem exercer o papel de compartilhamento de recursos através de associação em entidade de classe e/ou redes Inter organizacionais com propósitos específicos, dessa forma também é possível que as pequenas empresas desenvolvam estratégias corporativas que maximizem resultados.

Micro e pequenas empresas podem adotar diversos padrões de estratégias conforme o seu nível de organização formal das atividades que desempenha. A formulação das estratégias passa pelo processo das realidades externa e interna da empresa, sendo essencial para que promovam o sucesso, a sustentabilidade e a longevidade empresarial.

ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS:

Gestão adequada do capital de giro:

A gestão inadequada do capital de giro é um dos principais motivos para o fechamento de empresas de micro e pequeno porte no Brasil e uma possível explicação para este fato é a fragilidade dos registros contábeis e nível de controle gerencial. Nesse sentido, é vital que proprietários e gestores aprimorem a gestão financeira de curto prazo, visando garantir longevidade às firmas. (CARVALHO;SCHIOZER, 2012).

Os empreendedores revelam especial atenção ao controle de pagamento e de recebimento, porém não os articulam como integrantes do orçamento de caixa. As MPEs ofertam menos crédito comercial e financiam menos com crédito comercial, fato esse derivado da cadeia produtiva, envolvendo empresas com pouca capacidade de fornecimento de crédito.

Estratégia de posicionamento: diferenciação, liderança em custos e estratégia de foco.

Posicionamento de mercado designa as decisões tomadas para determinar o espaço da marca e imagem corporativa no mercado, incluindo benefícios oferecidos e segmentos almejados.

Um negócio é diferenciado quando desempenha certas atividades adicionadas de valor de forma a levar a superioridade em dimensões valiosas pra os clientes. Para que essas atividades sejam lucrativas, os clientes devem estar dispostos a pagar pelos benefícios excedentes aos seus custos. Outra estratégia competitiva e genérica baseia-se no menor custo. Nesse sentido, a vantagem de custo é obtida se a empresa desempenha a maioria de suas atividades com custo menor do que a concorrência, mesmo oferecendo um produto semelhante. Já a terceira estratégia competitiva e genérica baseia-se em foco e consiste em selecionar um grupo comprador, um segmento da linha de produtos ou um mercado geográfico específico. (MACHADO NETO; GIRALDI, 2008).

Estratégia de precificação:

Os empreendedores possuem uma tarefa complexa com relação à precificação de múltiplos produtos. Essa estratégia depende de fatores como: empresa, clientes, competição e regulamentação. A percepção de preço possui impacto na satisfação do consumidor, no qual determina o desempenho das vendas e a sua lealdade.

DESAFIOS NA GESTÃO DE ESTOQUE:

Esse é um tema ainda pouco adotado pelas micro e pequenas empresas. É importante enfatizar que no atual contexto de competitividade, as empresas mais preparadas e organizadas conseguem se manter no mercado, mesmo com pouco capital de giro disponível.  

A gestão de estoque é sempre crucial para qualquer tipo de empresa, obtendo custos menores e a garantia do produto no momento exato na operação produtiva. Apesar da importância da implantação de metodologias de estoques, grande parte das MPEs brasileiras não utiliza corretamente dessas ferramentas que ajudam muito a definir quando e quanto se deve comprar.

Por diversos motivos as MPEs pedem competitividade no mercado que atuam ou não sobrevivem por não possuírem departamentos específicos para a função ou por desconhecimento.

A gestão dos estoques é um elemento imprescindível na agenda dos administradores. (BERTAGLIA, 2006).

É importante salientar que desde a década de 1980, quando as mudanças no ambiente de negócios se intensificaram entende-se que as MPEs – Micro e Pequenas Empresas – possuem condições especiais em sua gestão em virtude de serem pequenas demais para recorrer às ferramentas de gestão e aos recursos usualmente à disposição da grande empresa estabelecida. (DRUCKER, 1981; LEONE, 1999). “E que ainda é baixa a presença de estudos científicos sobre as MPEs brasileiras”. (SILVA; PITASSI, 2013).

Para as micro e pequenas empresas como sendo importantes para a movimentação da economia brasileira, deve-se aumentar as buscas e os estudos sobre o assunto.

PRINCIPAIS DESAFIOS PARA A GESTÃO DOS ESTOQUES NAS MPEs:

Conforme o dicionário Aurélio, “Gestão é o ato de gerir, gerência, administração.” Ainda segundo esta mesma fonte de pesquisa, “estoque significa quantidade de mercadoria disponível para uso ou venda. Desta forma, a gestão de estoques é o ato de gerir a quantidade de mercadorias disponível para uso.” (FERREIRA, 2010).

Para a melhor gestão dos empreendedores, o estoque é elemento determinante em suas agendas, pois deve ser implantado adequadamente à realidade da empresa devendo ser sempre medido e acompanhado constantemente. Não basta apenas um planejamento se não for executado com eficiência por profissionais qualificados no assunto.

Quanto melhor o planejamento dos estoques, menores serão os imprevistos enfrentados e mais fáceis serão os acompanhamentos das entradas e saídas de materiais.

“O gerenciamento de estoque é um ramo da administração de empresas que está relacionado com o planejamento e o controle de estoques de materiais ou produtos que serão utilizados na produção ou na comercialização de bens e serviços”. (BERTAGLIA, 2006, P. 330).

O principal desafio dessa gestão está na identificação dos benefícios e na verificação dos níveis, adequando sempre a necessidade de cada realidade empresarial. A falta de conhecimento desses benefícios proporcionados e a dificuldade no momento de definir a forma adequada de gestão, conforme o tipo de estoque, que dificulta o melhor gerenciamento pelos empreendedores de MPEs.

Alguns grandes fatores como: o balanço do estoque com relação à produção, a logística com relação à demanda e o serviço prestado ao cliente final, são enfrentados pelas MPEs que encontram dificuldade na análise do mercado consumidor, não produzindo o necessário para ser vendido.

“A empresa sofrerá variações de empresa para empresa, dependendo do foco estratégico a ser adotado. Uma estratégia bem aplicada e bem conduzida, além de poder minimizar custos, assegurará o desempenho apropriado dos diferentes processos e funções empresariais.” (BERTAGLIA, 2006).

PRINCIPAIS MÉTODOS DE GESTÃO DE ESTOQUES:

Just in time (JIT):

Ching (2010, p. 23) assegura que o just in time “visa atender a demanda instantaneamente, com qualidade e sem desperdícios. Ele possibilita a produção eficaz em termos de custo, assim como o fornecimento da quantidade necessária de componentes, no momento e em locais corretos.”

Curva ABC:

Baseado no diagrama de Pareto, criado no século XIX, “para verificar o comportamento da distribuição de renda da população, nasce a curva ABC, onde nem todos os itens possuem a mesma importância e portanto não devem receber a mesma atenção, priorizando assim os itens de maior relevância para a empresa”. (CAXITO, 2011). E complementa dizendo que “os itens mais importantes de todos, segundo a ótima do valor agregado, denomina-se itens de classe A, os intermediários, itens de classe B, e os menos importantes, itens de classe C”. (CAXITO, 2011).

Fluxo contínuo de material:

“É comumente conhecido como método de puxar estoque pull." (CHING, 2010, P. 37).

Neste método o fornecedor deve atender as necessidades do cliente em um lead time curto, deixando a empresa dependente, necessitando manter bons fornecedores para que não haja atrasos de reposição e aumento dos custos.

Fluxo sincronizado do material:

Neste método o fluxo de material se mantém balanceado conforme a demanda do cliente e a informação sobre a necessidade do material, fluindo em paralelo por meio de todos os envolvidos, possuindo uma resposta rápida às mudanças do mercado.

PEPS (Primeiro que entra, primeiro que sai):

Este método consiste em controlar as fichas de estoque à medida que ocorrem as vendas, o primeiro que entra é o primeiro que sai. Baixam-se as compras que ocorreram primeiro, ou seja, vendem-se antes as unidades que foram adquiridas primeiramente. (JENSEN et al, 2013).

UEPS (Último que entra, primeiro que sai):

De acordo com Dias (1993), “as primeiras unidades a sair do estoque deverão ser as últimas que incorporam o estoque”, ele afirma que este modelo é o mais adequado em períodos inflacionários.

TIPOS DE ESTOQUES:

Estoque de matérias primas:

É o estoque de qualquer mercadoria que ainda não tenha sofrido nenhuma transformação por parte do fabricante. (CAXITO, 2011).

Estoque de materiais semi acabados:

É todo material parado na linha de produção aguardando sua utilização na fase seguinte como produto em processo. Este tipo de estoque também é mais oneroso.

Estoque de produtos acabados:

É o estoque onde se encontra o produto já fabricado, pronto para a venda.

Estoque em trânsito ou estoque no canal de distribuição:

“Toda mercadoria necessita ser transportada de um local a outro e durante esse transporte a mercadoria não é processada, portanto, verifica-se outro ponto de estoque”. (CAXITO, 2011, p. 158).

Estoque de segurança:

Bertaglia (2006) diz que “a função deste estoque é proteger a empresa contra imprevistos na demanda e no suprimento”.

Estoque de antecipação:

É aplicado para produtos com comportamentos sazonais de demanda.

GESTÃO DE CUSTOS:

A maioria das MPEs não possuem um controle efetivo sobre os itens de custo, mesmo que alguns instrumentos para este controle estejam disponíveis, pois os mesmos não são utilizados nas tomadas de decisão. Assim, fica evidenciado que a maioria das MPEs não conhece os custos de seus produtos e serviços.

Os preços são definidos por aqueles praticados no mercado, por conta da falta de conhecimento de seus próprios custos, mas também é o reflexo da alta concorrência. Faltando esse controle, as empresas ficam mais vulneráveis, impossibilitadas de agirem rapidamente nos momentos de condições adversas, causando assim o seu fechamento.

OS CUSTOS NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS:

Empresas do mesmo segmento apresentam estruturas distintas, dependendo de alguns fatores como: tecnologia adotada, terceirização nas atividades e recursos disponíveis, enquanto empresas de segmentos diferentes apresentam características diversas.

Em geral, os principais itens que compõem os custos de uma empresa são:

  • Gastos com materiais (matéria prima ou mercadorias);
  • Gastos com empregados (salários e encargos);
  • Outros gastos (aluguel, água, energia, etc);
  • Gastos com impostos.

A respeito dos gastos com empregados, o principal instrumento de controle é a folha de pagamento, porém mais de 50% das MPEs contratam o serviço terceirizado de um contador para realizar este controle. O que por um lado é bom porque libera o empreendedor de uma atividade altamente burocrática para realizar outras na empresa, por outro lado corre o risco da transferência de responsabilidade desse controle para “fora” da empresa.

Apesar disso, cerca de 65% das MPEs fazem o controle dos gastos com materiais. Esse controle interno do valor dos estoques se associa ao gasto com materiais sendo como um peso aos custos. Essas empresas que operam com estoques ainda fazem um controle variado, alternando, por exemplo, em 1 vez por mês (35%), outras todos os dias (6%) e até as que fazem controle apenas 1 vez por ano (21%).

No que diz respeito aos outros gastos, cerca de 62% das empresas são os próprios empreendedores que controlam, pois possuem algum recurso informatizado para este acompanhamento. Ainda assim, um percentual considerável de 58% das empresas não utiliza nenhum recurso informatizado, reforçando assim o atraso desse grupo de MPEs com relação ao domínio do controle de seus custos operacionais.

CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇO:

Em geral, as MPEs não possuem domínio integral sobre os seus custos, acarretando assim a falta de condições para o efetivo cálculo dos custos de produtos e serviços, desconhecendo a composição dos custos do principal que oferecem ao mercado consumidor.

Diante desse pouco domínio das MPEs sobre seus custos, a formação de preço dos produtos e serviços também se prejudica. E a consequência disso será a empresa trabalhando com itens rentáveis e outros prejudiciais, operando no escuro porque não sabem da rentabilidade de cada item especificamente. Esta situação prejudica o potencial de crescimento e a sobrevivência da empresa.

CONCLUSÃO:

É possível para as MPEs utilizarem de estratégias que foram desenvolvidas para grandes empresas, sendo adaptadas aos recursos financeiros e humanos disponíveis para a implantação. As micro e pequenas empresas têm alta relevância nos aspectos econômico e social no Brasil, sendo responsáveis pelas taxas de emprego, inovação, tecnologia e participação no PIB, nas quais as decisões são tomadas com maior rapidez e os investimentos são menores.

A gestão de estoques eficiente reduz os custos, contribuindo para não faltar produtos, não permitindo um excedente estocado, reduzindo desperdício e mantendo o controle e a validade dos produtos. Além disso, permite a comparação com outros períodos, possibilitando o entendimento do mercado, que permite a mudança da estratégia, visando sempre a satisfação do cliente.

As MPEs deveriam incorporar o cálculo sistematizado dos custos produtivos gerados em suas rotinas operacionais, definir também um melhor mix de produtos e serviços mais rentáveis economicamente, evitando maior descapitalização e seu fechamento.

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