Logística integrada na cadeia de suprimentos do pré-sal

Publicado em

5.6.2021
Carla Cristina Oliveira de Almeida

Carla Cristina Oliveira de Almeida

Logística Petrolífera | Logística Reversa | Supply Chain | Palestrante | Escritora | Conteúdo Interativo

Atualmente, as organizações precisam estar preparadas para a competição acirrada que o mercado globalizado impõe, através de consumidores cada vez mais exigentes e conscientes de que o progresso é necessário, mas em paralelo, é preciso cuidar do meio ambiente, pois existe uma sociedade que acaba se tornando um subsistema dos recursos naturais não renováveis, extraindo da Natureza para a produção de seus produtos, despejando os dejetos posteriormente no meio ambiente.

Principalmente no ramo do pré-sal onde se utilizam de equipamentos que irão percorrer várias camadas do solo submarino, a responsabilidade sócia ambiental precisa estar em primeiro lugar, tanto na segurança das equipes que trabalham no ramo, quanto para que o ecossistema não seja prejudicado com vazamento de óleo, visando o progresso nacional e a sustentabilidade das gerações futuras.

Na definição de Bertaglia, ele enfatiza a importância da logística integrada entre os participantes na cadeia de suprimentos:

O gerenciamento efetivo e apropriado da cadeia de abastecimento deve considerar todos os aspectos relevantes e as peças fundamentais do processo de tal forma que seja o mais ágil possível sem comprometer a qualidade ou a satisfação do cliente, mantendo ainda o custo total competitivo. (BERTAGLIA, 2009, p. 6).

A gestão da cadeia de suprimentos do pré-sal, assim como as demais, é definida por uma gestão de relações a montante e a jusante com fornecedores e clientes, a fim de entregar ao cliente valor superior ao esperado, ao menos custo para todo o processo operacional. Lembrando sempre da disponibilidade que o consumidor tem em observar as demandas que possam ocasionar dano ao meio ambiente, pois o mesmo tem a consciência de que o progresso é necessário, mas manter a vida para usufruir disto é importante.

Cadeia de abastecimento de materiais na realidade do pré-sal

A realidade brasileira do pré-sal é bem distinta porque a exploração do subsolo submarino nacional está cada vez mais abrangente, onde as empresas responsáveis pela captura do petróleo, na camada mais profunda das bacias de Campos e de Santos acabam se tornando um paradoxo, pois ao mesmo tempo em que compreende grande desenvolvimento e rende uma lucratividade considerável, pode também se tornar uma ameaça ao meio ambiente como um todo caso a logística operacional não esteja alinhada com todos os interessados.

Uma rede de distribuição de produtos passa por diversos estágios, facilitando os mesmos no percorrer do caminho desde a origem (fornecedor) até o destino (consumidor) por meio de várias instalações, com uma comunicação intensiva e bem coordenada, alinhando todos os processos operacionais, perpassando por toda a cadeia de suprimentos sem causa danos para que as gerações no futuro possam dar continuidade ao progresso ordenadamente.

Na citação de Brito e Pappa, os autores enfatizam que uma cadeia de valor eficiente e eficaz despende do bom gerenciamento de todas as etapas em uma CS para que as necessidades pertinentes ocorram adequadamente:

A cadeia de suprimentos é um subconjunto de uma determinada Cadeia de Valor com o objetivo principal de obtenção de matérias-primas, produção, distribuição e vendas de produtos acabados que atendam as necessidades de tempo, volume e recursos financeiros. (BRITO; PAPPA, 2014, p. 74).

O encadeamento dos processos logísticos para o desenvolvimento da operação, levando o produto até o consumidor tem que ser bem apurado, com informações precisas e fidedignas, fazendo com que gargalos não aconteçam e as principais atividades dentro da cadeia aconteçam em sequência eficaz, gerando o comprometimento de todos os envolvidos, no fornecimento das informações necessárias para a finalização do processo até o destino final.

Dentro de um armazém logístico que estoca produtos para que as operações do pré-sal ocorram, as informações do estoque físico têm que ser as mesmas informações que estão contidas nos sistemas de redes de sistemas de informação, que ajudam na localização dinamizada do material dentro do estoque, assim como fornecem informações necessárias para a reposição de peças.

Na contribuição que Gomes e Ribeiro fazem para este artigo, em sua citação, eles afirmam que, as informações contidas em um pedido devem estar na mesma sincronia tanto com o estoque físico, quanto com o estoque no sistema informacional, desta forma a previsão de controle de materiais e estocagem de bens de consumo atenderá a demanda exigida:

Um sistema de gerenciamento de pedido do cliente é uma estrutura do planejamento que faz a ligação do sistema de informações com o fluxo físico de materiais necessários para atender a demanda. Para conseguir a obtenção desse sistema, exige-se um gerenciamento centralizado das previsões, do planejamento das necessidades, das compras e do controle de materiais e da produção. (GOMES; RIBEIRO, 2004, p. 129).

A lógica da ligação entre cada fase do processo operacional na cadeia de abastecimento do pré-sal, à medida que os materiais se deslocam até as plataformas e sondas de exploração, responsáveis pelo processo de extração do petróleo, deve ser baseada sempre no princípio da otimização, pois os processos da retirada e produção do óleo têm prazos a serem cumpridos com datas marcadas e devem ser executados dentro de suas programações.

Para Russo (2013, p. 43), “a seleção de equipamentos para a movimentação de materiais deve sempre se pautar pela simplicidade, observando a relação entre o custo e o benefício”. A autora do artigo acrescenta ainda que, os equipamentos devem ser simples, baratos e flexíveis, fazendo com que a gestão da distribuição nesse deslocamento operacional contribua decisivamente para a competitividade das organizações no pré-sal.

No gerenciamento da cadeia de suprimentos do pré-sal os materiais de parceiros operacionais chegam até o depósito do armazém logístico, aguardando em posições estratégicas, através de endereçamento de ruas, quadras e posições numéricas, para a facilidade na identificação dos mesmos no momento de envio para a sua utilização.

Codificar um material significa representar todas as informações necessárias, suficientes e desejadas por meio de números e/ou letras com base na classificação obtida do material. Frequentemente, utilizam-se codificações que classifiquem os materiais em grupo ou famílias, subgrupos, classes, números sequenciais e dígitos de controle. (RUSSO, 2013, p. 87).

Podem ser materiais de grande porte que pesam toneladas, para a perfuração de poços e transporte Dutoviário do óleo, como também podem ser componentes menores que irão complementar a montagem de algum outro equipamento, os quais são unitizados e acondicionados em porta pallets, sendo sempre movimentados através de equipamentos especiais e esta finalidade.

Russo (2013, p. 208) afirma que, “a escolha do modal de transporte a ser utilizado depende de fatores como o custo, tempo de entrega, tipo de produto, disponibilidade do modal e sazonalidade”. A autora do artigo acrescenta ainda que, dentre esses fatores que o autor mencionou para a devida escolha do modal ou dos modais de transportes para a eficiente movimentação de materiais, é preciso avaliar também fatores como o tempo de entrega, a confiabilidade, a rastreabilidade do sistema transportador e as condições em que o produto chegará ao cliente final.

Havendo a necessidade do material, através da comunicação prévia de programação de embarque, o mesmo é carregado geralmente em transporte rodoviário, que pode ser terceirizado ou próprio, em tempo hábil que chegue ao destino onde se encontram as plataformas responsáveis pela extração na bacia de Campos ou de Santos. De lá, partem em modal aquaviário até a localização das sondas e plataformas.

A importância do correto gerenciamento no abastecimento de suprimentos na CS do pré-sal

O objetivo é a maximização do serviço aos parceiros operacionais, ao mesmo tempo em que se minimizam os custos através de uma gestão de estoques programada para as demandas necessárias, se reduzem os ativos detidos no fluxo logístico como, por exemplo, o transporte desses materiais por percursos que otimizem a movimentação entre as bases interessadas.

De acordo com Gomes e Ribeiro (2004, p. 132), “o novo paradigma competitivo é cadeia de suprimentos concorrendo com cadeia de suprimentos. O sucesso da companhia depende de como gerencia seus relacionamentos no fluxo logístico”. A autora do artigo complementa ainda que, para a eficiência das cadeias de suprimentos globais, as mesmas devem evitar longos prazos para fornecimento dos produtos e o menor nível de insumos possível para atender às variações oscilantes do mercado.

Os benefícios e os malefícios de um bom gerenciamento operacional na CS do pré-sal brasileiro

Acrescentando ao estoque de materiais aguardando a saída do depósito está a movimentação interna dos mesmos. Uma boa estratégia para facilitar esta movimentação é a guarda deles por prioridades ou maior utilização, ou seja, materiais que são mais requisitados com maior frequência ficam na frente da doca do galpão, próximos de seus equipamentos auxiliares que irão compor a peça como um todo e materiais menos utilizados ficam mais no fundo, para que não atrapalhe os equipamentos de movimentação interna no momento da coleta do pedido.

De acordo com BERTAGLIA (2009, p. 7) “o objetivo da cadeia de abastecimento é possibilitar que os produtos certos, na quantidade certa, estejam nos pontos de vendo no momento certo, considerando o menor custo possível”. A autora acrescenta que, com a CS do pré-sal não é diferente, pois todas as informações de estoque e quantidade armazenadas têm que estar alinhadas entre as equipes de inventário para que o momento da saída do material, o mesmo seja logo encontrado para passar pelos demais estágios da cadeia.

Outro aspecto muito importante e pontual na boa funcionalidade da cadeia de abastecimento do pré-sal brasileiro é com relação à frota que irá transportar os materiais solicitados pelas plataformas e suas referidas modalidades, pois como se tratam de equipamentos de pesagem alta, no momento da saída do armazém até a chegada ao destino final, a logística da utilização de modais diferentes tem que estar em sintonia com a programação da solicitação e chegada em tempo hábil.

Na definição de Christopher, ele afirma que o bom ou o mau funcionamento das organizações atuais não dependem somente da alta tecnologia ou da comunicação mais eficiente, mas com certeza de um eficaz controle dos processos logísticos pelos integrantes da CS:

Cada vez mis a diferença entre o sucesso e o fracasso no mercado global será determinada não pela sofisticação da tecnologia do produto ou até mesmo pelas comunicações de marketing, mas sim pela forma de gerenciar e controlar a cadeia logística. (CHRISTOPHER, 2013, p. 222).

O melhoramento da CS do pré-sal está na simplificação nos processos, maior confiabilidade das informações logísticas entre os executantes, redução da variabilidade e complexidade documental para não engessar o processo operacional diante de tantas burocracias, impactando na comunicação entre as partes, visto que onde muitas pessoas diferentes mechem e a informação não é repassada, a tendência é em algum momento o processo se perca diante de informações que ficam para trás, provocando gargalos operacionais.

Outro ponto negativo e que influencia muito mal a CS do pré-sal é a retenção das informações entre os diversos setores que precisam se comunicar para a solicitação do material necessário. A cronologia das informações, desde o pedido inicial, não seguem um linha de raciocínio lógica e caminham em um histórico confuso de comunicação, pois as pessoas não possuem o comprometimento necessário para que este tipo de CS aconteça corretamente, ocasionando assim o retrabalho de diversas etapas.

Para Christopher, uma rede de gerenciamento dos processos logísticos depende muito dos colaboradores das organizações participantes cooperarem com suas competências multidisciplinares para benefício próprio:

Tornar as redes mais eficazes em satisfazer os requisitos do usuário final exige um alto nível de cooperação entre as organizações da rede, assim como o reconhecimento da necessidade de tornar as relações entre empresas mutuamente benéficas. (CHRISTOPHER, 2013, p. 254).

Por conta deste mau trabalho feito no início do processo operacional é que materiais e equipamentos retornam para o armazém logístico, aumentando os custos com transporte utilizado desnecessariamente, ou pior, quando os equipamentos retornam para a base porque os embarques foram cancelados e/ou reprogramados e nenhum dos executantes responsáveis fez o controle correto para repassar a informação aos demais interessados da CS.

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